quarta-feira, 15 de setembro de 2021

MT tem 2.114 pessoas vivendo em situação de rua

 

Levantamento feito pela Setasc mostra que a maioria desses indivíduos é composta por adultos, mas também há 37 crianças e adolescentes

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem




Em Mato Grosso há 2.114 pessoas, incluindo 37 crianças e adolescentes, vivendo em situação de rua (PSR) inscritas no Cadastro Único para programas sociais do Governo Federal, o que corresponde a 0,16% do total de cadastrados. Dessas, 1.283 recebem o benefício do “Bolsa Família”, representando 60% dessa população. Os dados constam em boletim informativo “O cenário atual da população em situação de rua inscrita no Cadastro Único em Mato Grosso”, divulgado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).

O objetivo do boletim é subsidiar a avaliação e o planejamento das ações socioassistenciais. De acordo com a Setasc, neste ano, de acordo com o CadÚnico, 58 municípios registraram pelo menos um caso de situação de rua em seu território. Desses, 30 são de pequeno porte “I”. Todavia, esse público está concentrado nos municípios de grande e médio porte, o que corresponde a 88%.

Dentre 10 cidades, Rondonópolis (578), Cuiabá (563), Sinop (370), Várzea Grande (100) e Primavera do Leste (97) lideram o ranking com mais pessoas em situação de rua. Na lista estão ainda Barra do Garças (43), Sorriso (30), Lucas do Rio Verde (30), Cáceres (31) e Campo Novo do Parecis (25).

Quanto ao perfil desse público, nota-se que, assim como em outros estados, a maioria das pessoas que vivem nas ruas são do sexo masculino, sendo 1.936 homens (91%) e 178 mulheres (9%) cadastrados. Em relação à etnia, 69% (1467) se declararam pardas, seguido por 388 brancas (18%) e 239 negras (11%). As etnias amarela e indígena representam a minoria com 0,7% e 0,23% respectivamente.

Em relação à faixa etária, observa-se que a maioria desses indivíduos nas ruas é composta por adultos entre 18 e 59 anos (89%). Em seguida, estão as pessoas com idade superior a 60 anos (8,84%). Também há 37 crianças e adolescentes, o que correspondem a 1,74%.

Outro dado importante é quanto ao grau de instrução. Segundo o levantamento, 1,27% começaram a cursar faculdade; 11,96% concluíram o ensino médio; 51% começaram a estudar, mas não concluíram o ensino fundamental e 11% não têm instrução. O desemprego é o principal motivo apontado como razão da ida para as ruas, além do alcoolismo, conflitos e desentendimentos com familiares.

Conforme a adjunta de Assistência Social, Leicy Vitório, as informações referentes às pessoas em situações de rua identificadas no Cadastro Único foram atualizadas. “A intenção é contribuir na elaboração de políticas públicas adequadas que atuem para além do atendimento pontual e fragmentado e que considerem a heterogeneidade desse público”.

Ela reforça que a Setasc tem acompanhado a situação dos moradores de rua, embora a execução da política pública seja de responsabilidade do município. “Já entregamos cobertores e desde o início da pandemia distribuímos 200 marmitas diárias para as pessoas em situação de rua”, afirmou.

O órgão estadual também trabalha na implantação do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento e da Política para a população em situação de rua, em âmbito estadual, o que é apontado como um marco e, em conjunto com outras políticas públicas, buscar ações que garantam os seus direitos desses indivíduos.

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